Casas, gentes e alma: um retrato das aldeias de Chaves na apresentação da mais recente obra de Altino Rio
O restaurante Libório, que em tempos marcou toda uma geração, voltou a ganhar vida no passado sábado, dia 21 de junho, com a apresentação do livro “Aldeias de Chaves – o mesmo povo, uma só alma”, da autoria do flaviense Altino Rio, com a colaboração de Miguel Coelho, Herculano Pombo e Sílvia Alves.
O evento juntou dezenas de amigos, familiares, leitores e amantes da história local, num ambiente de grande emoção e partilha por parte de flavienses que trazem no rosto os sulcos da idade e nas mãos a memória dos tempos em que a vida se fazia entre campos, hortas e rebanhos, com saberes antigos como o de ceifeiro.
A apresentação esteve a cargo de Alexandre Chaves, que prefaciou a obra com um texto sentido sobre a ligação entre o território e a identidade dos seus habitantes.
Esta criação artística e literária constitui-se um verdadeiro testemunho do património habitacional e humano das mais de cem aldeias do concelho, reunindo imagens e textos que retratam o casario, os modos de vida e o espírito das comunidades.
Os autores procuraram lançar um novo olhar sobre o património das aldeias flavienses, tornando-o visível e relevante, não apenas enquanto traço arquitetónico, mas como expressão viva da individualidade cultural do concelho, tornando o livro num verdadeiro “museu de bolso”.
Presente na iniciativa, o Presidente da Câmara Municipal, Nuno Vaz, não pôde deixar de partilhar com alguma nostalgia, que muitas dessas histórias faziam parte da sua infância, reconhecendo com grande apreço o esforço de Altino Rio, traduzido no “trabalho de um artesão, recosendo muito dos pedaços da nossa memória e da nossa história, procurando naturalmente perpetuar o que é a nossa etnografia como memória futura”. Realçou a importância deste feito, porque, “se nós não visualizarmos e materializarmos num suporte físico ou digital, provavelmente perderemos para sempre, muito daquilo que já fomos, as nossas raízes”.
Durante a cerimónia, foi destacado o trabalho conjunto dos quatro autores, que enriqueceram a obra com textos introdutórios a cada capítulo, uma seleção criteriosa das fotografias e legendas que espelham a alma das gentes retratadas. A capa, da autoria de Miguel Coelho, mereceu igualmente elogios pela sua força simbólica.
O encontro foi ainda marcado por um momento cultural e terminou com uma prova gastronómica, evocando a autenticidade e os sabores flavienses, numa celebração que uniu memória, arte e convívio.




