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Câmara Municipal de Chaves
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Alto Tâmega e Barroso unido na defesa pela Saúde

30 Outubro 2023

Nem a chuva que se fez sentir ao longo do passado sábado, dia 28 de outubro, demoveu a população do Alto Tâmega e Barroso de lutar por um direito constitucionalmente consagrado: o direito à proteção da saúde. A vigília de protesto, convocada pela Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT), ocorreu em frente à Unidade Hospitalar de Chaves.

Foram cerca de dois milhares de pessoas, provenientes dos seis municípios do território – Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar –, que marcaram presença neste protesto para dar voz aos mais de 84 mil habitantes da região.

Esta mobilização ocorreu após as diversas interações com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro – EPE ocorridas nas últimas semanas, onde foi possível constatar o elevado risco de encerramento, a partir desta quarta-feira, dia 1 de novembro, do Serviço de Urgência Pediátrica e da Urgência Médico-cirúrgica no seu conjunto, bem como do Serviço de Internamento de Ortopedia da Unidade Hospitalar de Chaves.

Cada município teve como porta-voz o respetivo Presidente – Fernando Queiroga (Boticas), Nuno Vaz (Chaves), Fátima Fernandes (Montalegre), João Noronha (Ribeira de Pena), Amílcar Almeida (Valpaços) e Alberto Machado (Vila Pouca de Aguiar e CIMAT) – sendo de opinião unanime que as questões partidárias devem ficar de parte quando se trata da defesa da Saúde do seu povo, estando unidos em prol da região e falando os seis a uma só voz.

O número de habitantes (84.248), a dimensão do território (2.922 km2), a [fraca] qualidade dos acessos, bem como o facto de ser uma região pautada por uma população envelhecida e com poucos recursos, foram as principais preocupações referidas pelos seis autarcas. Estes recusam-se a aceitar a solução apresentada que é a de centralizar os serviços referidos na Unidade Hospitalar de Vila Real, uma vez que as localidades mais distantes encontram-se a cerca de 150 km da sede de distrito, o que, em casos de urgência, poderá ser fatal para os utentes, acrescentando, ainda, o facto de, principalmente nesta época de inverno, poder gerar um grande congestionamento nos serviços desta Unidade Hospitalar, podendo resultar num tempo de espera superior ao já existente e em falta de camas, levando a que os utentes tenham de ser transferidos para unidades hospitalares mais distantes.

De salientar que a revolta dos autarcas é direcionada para as medidas tomadas pelo Governo e não para com os profissionais de saúde, tendo sido manifestada a solidariedade para com estes.

A esta luta juntaram-se também outras pessoas que, na impossibilidade de estarem presentes, acompanharam este protesto através das redes socias, nomeadamente, a comunidade emigrante que se mostra preocupada com o facto de alguns dos seus familiares residentes na região serem pessoas com uma idade já avançada, muitos deles com problemas de saúde e, ainda, sem possibilidades de se deslocarem a outro hospital.

Também o Grupo Desportivo de Chaves se aliou a esta causa. Na tarde desse mesmo dia, antes do início da partida contra o Vitória de Guimarães, os jogadores envergaram a camisola do protesto, onde se podia ler “Alto Tâmega e Barroso Unido pela Nossa Saúde”, levando ainda mais longe a voz de todo um território.

Este foi apenas o primeiro de muitos momentos que se poderão seguir, caso o encerramento destes serviços venha mesmo a acontecer, tendo os autarcas lançado o apelo à população para que se continue a mobilizar por esta causa, indo, caso seja necessário, até à sede do Ministério da Saúde, em Lisboa.

Para se encontrarem alternativas mais favoráveis ao território do Alto Tâmega e Barroso, foram solicitadas reuniões de urgência com o Senhor Ministro da Saúde e o Senhor Diretor Executivo do SNS, tendo, até à data, apenas este último informado da sua disponibilidade, estando a reunião marcada para amanhã, dia 31 de outubro, por videoconferência.

Conteúdo atualizado em30 de outubro de 2023às 14:16